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segunda-feira, 21 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
De coroa na banheira...
sábado, 19 de novembro de 2011
Fujam! O Rio acabou!!
Ano que vem, eleições municipais, certo? Olho vivo e memória acesa. Veja a chapa que ameaça se formar: Rodrigo Maia e Clarisse Garotinho. Os sobrenomes já dizem tudo. E o pior é que o colunista divulga a anomalia em nota de tons "simpáticos"... Finaliza assim: "Adorei". Eu, hein.


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http://papelpop.com/2011/11/george-clooney-deve-interpretar-no-cinema-fundador-da-apple-steve-jobs/
Fãs da Apple podem ficar mais tranquilos! O filme sobre a vida do fundador da companhia não só será feito como já tem um ator para o papel de Steve Jobs! Nada mais nada menos que George Clooney!
O ator lidera a lista de protagonistas do longa ao lado de Noah Wyle, como conta o site Mashable. Além disso, o filme terá Aaron Sorkin como roteirista, o mesmo cara que trabalhou com o sucesso do David Fincher sobre o Facebook, “A Rede Social”!
A produção do filme, que será baseado na biografia autorizada de Steve Jobs feita por Walter Isaacson e lançada logo após a morte do fundador em 5 de outubro deste ano, foi confirmada pela Sony, mas ainda não tem data de estreia.
Você acha que Clooney era a melhor escolha para interpretar Jobs? O Noah Wyle, pelo menos, já fez uma imitação do ex-CEO da Apple!

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O ator lidera a lista de protagonistas do longa ao lado de Noah Wyle, como conta o site Mashable. Além disso, o filme terá Aaron Sorkin como roteirista, o mesmo cara que trabalhou com o sucesso do David Fincher sobre o Facebook, “A Rede Social”!
A produção do filme, que será baseado na biografia autorizada de Steve Jobs feita por Walter Isaacson e lançada logo após a morte do fundador em 5 de outubro deste ano, foi confirmada pela Sony, mas ainda não tem data de estreia.
Você acha que Clooney era a melhor escolha para interpretar Jobs? O Noah Wyle, pelo menos, já fez uma imitação do ex-CEO da Apple!
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011
EnCARNAção!
Se no ano passado Lady Gaga criou polêmica ao usar um vestido feito de pedaços de carne – e mesmo antes disso Jeremy Scott e Ronaldo Fraga já tinham bancado os carniceiros -, agora foi a vez de Mark Ryden ganhar a capa da revista de arte Juxtapoz com seu modelito cornívoro, “Incarnation” (2009).
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Feia, chata e burra!
O que fazer no dia em que todas as mulheres do mundo parecem ser mais interessantes do que essa que temos em nós? Da manicure, que assume os quilinhos a mais sem culpa, à moça do outro departamento, que desfila plena de calça jeans e camiseta branca (hering!). Todas tem mais estilo e charme. Uma cita Virginia Wolf como quem não quer nada, a outra busca o filho na escola todos os dias, uma terceira faz tudo isso e ainda treina para uma maratona de manhã e está com um sapato arrasador! Todas, sem exceção, são mais lindas, mais inteligentes, mais completas, mais felizes e estão com um esmalte mais bacana. E agora??
Dar unfollow em algumas pessoas no twitter, pode jogar muita serotonina no sangue. Já fuçar a vida das periguetes só atrapalha!
Decote!! Profundo e preto. Sempre funciona
Um rolê no jato invisível?
Ou a apenas uma boa trepada na cozinha...
Lexotan! Não resolve, mas ajuda
Cerveja nem pensar, dry martini, por favor!
Um sapato novo pode resolver, mas não pode ser pantufa!
Almoço com as amigas, jantar com as amigas, café com amigas, lágrimas com as amigas...
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A Nova Nova York - por Tânia Menai
A Nova Nova York
Dez anos depois da queda das torres, a cidade dá a volta por cima. Bairros remodelados, novos hotéis, restaurantes, museus. TANIA MENAI mostra o melhor dessa York eternamente in progress

O escritor e jornalista E.B.White (1899-1985) autor do belíssimo ensaio “Aqui é Nova York”, escrito em 1948, foi quem melhor definiu o DNA da cidade que nunca dorme. Seu olho clínico captou meticulosa e poeticamente o tipo de personagens que circulam por aqui, o ritmo frenético que atrai ou expele moradores e a delícia do anonimato que se tem nesta ilha. White dividiu-a em três: a primeira é dos nativos, que acham todo este agito normal e não dão `a ela valor que Nova York merece. A segunda é daqueles que moram nas cidades ao redor, chegam de manhã para trabalhar e “são cuspidos como gafanhotos” ao fim do dia. E a terceira é daqueles que vieram de algum outro canto do país ou do mudo e fizeram de Nova York seu destino final. Para White, a terceira é a melhor. A cidade do destino final. Só mesmo estes apaixonados moradores, como eu, são capazes de trocar uma casa de proporções humanas, um chinelo sujo de areia e água-de-côco, por um apartamento tamanho-armário, uma competição absurda e espírito do faça-você-mesmo. Tudo isso, para sair na rua e dar de cara com o Metropolitan Museum, analisar a diversidade no metrô ou topar com um saxofonista entoando Garota de Ipanema no Central Park. Talvez cidade nenhuma no mundo faça um visitante sentir-se tão em casa, mesclado na multidão: seu sotaque, seu turbante ou camisa do Corinthians não choca ninguém – pelo contrario: essa festa é muito bem-vinda. Como se diz aqui: só em Nova York.

Há dez anos, a cidade de White foi machucada física e emocionalmente por um dos maiores ataques terroristas da história. No entanto, como você verá nesta matéria, uma década mais tarde, Nova York já se levantou, sacudiu a poeira (e, olha, foi muita!) e deu a volta por cima. Aquela ensolarada terça-feira de setembro dispensa apresentações. Mas vamos lembrar que em 11 de setembro de 2001 dois aviões acertaram em cheio as torres gêmeas, antes das 10 da manhã, tirando a vida de 2,749 pessoas, entre eles 343 bombeiros. O som das ruas eram de sirenes, o rosto das pessoas de espanto. As torres, como todas as outras de Manhattan, eram de Babel: os sobrenomes dos mortos variam de Ogawa a Mouchinski. Quatro eram brasileiros: Sandra, Ivan, Nilton e Anne Marie. Você, leitor, sabe exatamente aonde estava e o que fazia quando soube do atentado. Eu? Acordei com um telefonema do meu amigo Joaquim, alertando-me para ligar a televisão. Rapidamente, meu apartamento que tinha um tamanho de uma gaiola, virou um bunker de jornalistas e amigos que não tinham como voltar para casa. Passei a noite no Saint Vincent Hospital, no West Village, testemunhando, como jornalista, a solidariedade e organização dos nova-iorquinos em ajudar os médicos, com água, comida e doação de sangue. Parecia que a cidade havia ensaiado para aquilo. A tragédia foi assistida ao vivo por 100 milhões de telespectadores pelo mundo, além dos 100 mil que viram as torres desabarem a olho nu. Nas semanas seguintes, não se vendia mais as tradicionais camisetas “I Love New York”; lia-se nelas “I Love New York. More than Ever”.

A eterna cicatriz deixada por 1, 7 milhão de toneladas de entulho serve como lembrança dos mortos e de uma nova era. A boa notícia, no entanto, é fiel ao velho ditado americano: o que não nos mata, deixa-nos mais forte. E é assim que está a cidade de E.B. White, de Frank Sinatra, do Super Homem, dos Caça Fantasmas, do Seinfeld, de Carrie Bradshaw e de Marylin Monroe: mais forte e renovada. Diz-se aqui, que “não voltamos ao normal. Adaptamo-nos a um novo normal.” O preço dos imóveis não caíram. Pelo contrário. Restaurantes novos, teatros restaurados, ruas redescobertas e hotéis descolados são o melhor exemplo de que a turma de Osama Bin Laden acertou no alvo, mas errou no objetivo. As torres caíram, mas a moral, jamais.
A região afetada pelos ataques – Battery Park City e TriBeCa – ficaram parcialmente desativadas por vários meses; além de insalubre, aquelas quadras eram sinônimo de tristeza, lembro bem. Mas organizações como a Lower Manhattan Development Corporation trataram de revitalizar a área e hoje pode-se dizer que ambos bairros estão melhores do que eram no ano 2000. TriBeCa ganhou seu festival anual de cinema, organizado por Robet DeNiro (justamente para levantar a auto-estima local) e continua a atrair arquitetos em suas lojas de decoração, incluindo o showroom de móveis brasileiros, Espasso. Battery Park City não pára de atrair imobiliárias; sem falar nos prédio novos do World Trade Center, alguns já em funcionamento. A estação de trem, que ficava no próprio complexo das torres, ligando Nova York a Nova Jersey, foi reaberta em novembro de 2003 assinada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava. O auge da vitalidade pode ser simbolizada pela recente abertura de uma filial do Shake Shack, o hamburger mais amado da cidade, famoso pela qualidade, e, sim, pelas filas. `A beira da água, no Rio Hudson, o gramado é a praia dos locais. Toda a beira do rio foi revitalizada, incluindo uma ciclovia que dá a volta em Manhattan.

O Lower East Side também foi contagiado pela onda do renascimento: hoje, se hospedar no Hotel on Rivington ou jantar no Falai ou no W-50 é sinônimo de moda. O bairro também esconde uma das pérolas de Nova York: o Tenement Museum, cujas visitas guiadas de uma hora contam a história de imigrantes alemães, irlandeses, italianos e judeus da virada do século passado. O programa tem atraído tanta gente, que o escritório e loja do museu se muda este mês (setembro) para um espaço maior do outro lado da rua, a lendária Orchard Street, hoje pipocada por lojinhas de novos designers e restaurantes como o Little Giant e o Café 88. Já a sorveteria Il Laboratorio del Gelato, sorvete artesanal que mantinha uma loja discreta na rua, faz tanto sucesso que inaugurou a segunda loja no bairro em julho passado – em frente `a tradicional Katz’s Deli - com muito espaço e 48 sabores. Um pouco acima, a Bowery Street, no East Village, também está de roupa nova. O nome, acredite, vem de bowverij, ou fazenda em holandês – idioma dos primeiros colonizadores da ilha. No século 17, as ovelhas deram lugar `a uma avenida, que chegou a ser uma das mais badaladas da cidade, endereço inclusive da finada casa de rock CBGB, aberta na década de 70 e fechada em 2006. Por anos, no entanto, The Bowery, como é chamada, caiu no esquecimento; ainda hoje, de bela a rua não tem nada. Ainda assim, nos últimos anos ela passou a abrigar endereços disputados como o New Museum, o restaurante Gemma, no Bowery Hotel, a pizzaria Pulino’s e o DBGB, novo empreendimento do chef Daniel Boulud, no lugar do CBGB. Todos abertos nos últimos três anos.

Eis também um projeto que me emociona: o High Line: um antigo trilho elevado de trem, inaugurado em 1934 e desativado em 1980, e em 2009 transformado num jardim suspenso cuidadosamente projetados por paisagistas e designers de ponta. O passeio começa (ou termina) na rua 20 e se estende até a Ganservoort Street, no Meatpacking District, um bairro historicamente industrial, que ficou famoso pela quantidade de açougues, mas que hoje abriga uma Apple Store, restaurantes a la Sex and the City, além de uma filial da aclamada cadeia belga Le Pain Quotidien, e lojas de designers como Carlos Miele, Alexander McQueen e Stella McCartney, e dois hotéis sinônimos de balada: o Gransevoort e o Standard. Em 2015, esta ponta sul do High Line ganhará um vizinho especial: a nova filial do Whitney Museum, museu dedicado `a arte dos Estados Unidos, que funciona hoje no tradicional bairro Upper East Side. O novo prédio do Whitney foi desenhado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, mestre da luz e da leveza; o projeto inclui cafés, biblioteca, espaço educacional, salas para obras gigantes e o máximo de tetos e paredes em vidro, uma delas de frente para as águas do Hudson. Em tempo, vale lembrar que o respeitadíssimo Piano, criador do prédio Georges Pompidou , que abriga o museu de arte moderna de Paris, também arquitetou o prédio do New York Times, erguido em 2006, na Oitava Avenida, e a reforma da Morgan Library, na Avenida Madison com rua 37.

Acima do Meatpacking District, fica Chelsea, que abriga a charmosa Chelsea Market (onde, entre muffins e pães, fica também o escritório do Google), e as galerias de arte, que representam artistas que vão de Vik Muniz a Pablo Picasso. O passeio das artes começa na altura da Décima Avenida com a rua 20 e vai até a rua 26. Vale zig-zaguear por lá e não se intimidar: os prédios daquelas quadras escondem arte de outro mundo em todos os andares. Andando para leste, está o Flatiron District e o Gramercy Park, hoje destino dos gourmands. Comecemos pelo Eataly, megacomplexo de cinco mil metros quadrados, aberto há um ano na esquina da rua 23 com Quinta Avenida, que reúne o melhor da gastronomia italiana e que respeitam a filosofia “slow food”: os produtos são artesanais e vindos por fazendeiros locais. No topo do prédio, festa: ali fica a Bierria, onde a cerveja é produzida e consumida in loco. Já o Maialino, também italiano, foi inaugurado em 2009 no renovado Gramercy Hotel, um dos mais refinados da cidade. O Maialino pertence ao grupo de Danny Meyer, o melhor restauranteur da cidade, adorado pelos locais pela qualidade dos pratos e pela hospitalidade, sempre impecável.

Bien sûre, a Times Square também entrou para dança: uma audaciosa obra de urbanismo transformou parte da Sétima Avenida em calçada para pedestres, com direito a mesinhas e cadeirinhas. O mesmo aconteceu na parte sul da Columbus Circle, onde a sorveteria italiana Grom foi feliz em abrir uma filial, onde fica o imponente Time Warner Center, também inaugurado depois de 2001. Ali, o deslumbre são as lojas, as casa de espetáculo Jazz at Lincoln Center, a sede nova-iorquina da CNN e o hotel Mandarim Oriental. Também come-se bem por lá: o Per Se (cozinha americana) e o Masa (japonesa) alimentam bocas que podem pagar 500 por refeição. E para as bocas de mortais, há o Bouchon Bakery e o Whole Foods, ambos com qualidade impecável. Continuemos mais três quadras para cima e, vois lá, o Lincoln Center de cara nova: nova fonte de água, escadaria iluminada, e o Alice Tully Hall, onde acontece, entre outras coisas o New York Film Festival, não só ganhou um prédio novo em folha (depois de dois anos e 159 milhões de dólares), como virou ponto de encontro para um bom vinho de fim de tarde. A parte chata, no entanto, existe. Bem em frente ao Lincoln Center, uma livraria Barnes & Noble de cinco andares deixou de existir, dando espaço a uma Century 21, loja de barganhas para consumidores desenfreados. Não, eu não troco uma tarde no café da livraria em boa companhia por uma bolsa de 5,99 dólares. Mas, como a cidade é democrática, há quem troque. E ainda bem que é assim!
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[ copyright © 2004 by Tania Menai ]
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Dez anos depois da queda das torres, a cidade dá a volta por cima. Bairros remodelados, novos hotéis, restaurantes, museus. TANIA MENAI mostra o melhor dessa York eternamente in progress
O escritor e jornalista E.B.White (1899-1985) autor do belíssimo ensaio “Aqui é Nova York”, escrito em 1948, foi quem melhor definiu o DNA da cidade que nunca dorme. Seu olho clínico captou meticulosa e poeticamente o tipo de personagens que circulam por aqui, o ritmo frenético que atrai ou expele moradores e a delícia do anonimato que se tem nesta ilha. White dividiu-a em três: a primeira é dos nativos, que acham todo este agito normal e não dão `a ela valor que Nova York merece. A segunda é daqueles que moram nas cidades ao redor, chegam de manhã para trabalhar e “são cuspidos como gafanhotos” ao fim do dia. E a terceira é daqueles que vieram de algum outro canto do país ou do mudo e fizeram de Nova York seu destino final. Para White, a terceira é a melhor. A cidade do destino final. Só mesmo estes apaixonados moradores, como eu, são capazes de trocar uma casa de proporções humanas, um chinelo sujo de areia e água-de-côco, por um apartamento tamanho-armário, uma competição absurda e espírito do faça-você-mesmo. Tudo isso, para sair na rua e dar de cara com o Metropolitan Museum, analisar a diversidade no metrô ou topar com um saxofonista entoando Garota de Ipanema no Central Park. Talvez cidade nenhuma no mundo faça um visitante sentir-se tão em casa, mesclado na multidão: seu sotaque, seu turbante ou camisa do Corinthians não choca ninguém – pelo contrario: essa festa é muito bem-vinda. Como se diz aqui: só em Nova York.
Há dez anos, a cidade de White foi machucada física e emocionalmente por um dos maiores ataques terroristas da história. No entanto, como você verá nesta matéria, uma década mais tarde, Nova York já se levantou, sacudiu a poeira (e, olha, foi muita!) e deu a volta por cima. Aquela ensolarada terça-feira de setembro dispensa apresentações. Mas vamos lembrar que em 11 de setembro de 2001 dois aviões acertaram em cheio as torres gêmeas, antes das 10 da manhã, tirando a vida de 2,749 pessoas, entre eles 343 bombeiros. O som das ruas eram de sirenes, o rosto das pessoas de espanto. As torres, como todas as outras de Manhattan, eram de Babel: os sobrenomes dos mortos variam de Ogawa a Mouchinski. Quatro eram brasileiros: Sandra, Ivan, Nilton e Anne Marie. Você, leitor, sabe exatamente aonde estava e o que fazia quando soube do atentado. Eu? Acordei com um telefonema do meu amigo Joaquim, alertando-me para ligar a televisão. Rapidamente, meu apartamento que tinha um tamanho de uma gaiola, virou um bunker de jornalistas e amigos que não tinham como voltar para casa. Passei a noite no Saint Vincent Hospital, no West Village, testemunhando, como jornalista, a solidariedade e organização dos nova-iorquinos em ajudar os médicos, com água, comida e doação de sangue. Parecia que a cidade havia ensaiado para aquilo. A tragédia foi assistida ao vivo por 100 milhões de telespectadores pelo mundo, além dos 100 mil que viram as torres desabarem a olho nu. Nas semanas seguintes, não se vendia mais as tradicionais camisetas “I Love New York”; lia-se nelas “I Love New York. More than Ever”.
A eterna cicatriz deixada por 1, 7 milhão de toneladas de entulho serve como lembrança dos mortos e de uma nova era. A boa notícia, no entanto, é fiel ao velho ditado americano: o que não nos mata, deixa-nos mais forte. E é assim que está a cidade de E.B. White, de Frank Sinatra, do Super Homem, dos Caça Fantasmas, do Seinfeld, de Carrie Bradshaw e de Marylin Monroe: mais forte e renovada. Diz-se aqui, que “não voltamos ao normal. Adaptamo-nos a um novo normal.” O preço dos imóveis não caíram. Pelo contrário. Restaurantes novos, teatros restaurados, ruas redescobertas e hotéis descolados são o melhor exemplo de que a turma de Osama Bin Laden acertou no alvo, mas errou no objetivo. As torres caíram, mas a moral, jamais.
A região afetada pelos ataques – Battery Park City e TriBeCa – ficaram parcialmente desativadas por vários meses; além de insalubre, aquelas quadras eram sinônimo de tristeza, lembro bem. Mas organizações como a Lower Manhattan Development Corporation trataram de revitalizar a área e hoje pode-se dizer que ambos bairros estão melhores do que eram no ano 2000. TriBeCa ganhou seu festival anual de cinema, organizado por Robet DeNiro (justamente para levantar a auto-estima local) e continua a atrair arquitetos em suas lojas de decoração, incluindo o showroom de móveis brasileiros, Espasso. Battery Park City não pára de atrair imobiliárias; sem falar nos prédio novos do World Trade Center, alguns já em funcionamento. A estação de trem, que ficava no próprio complexo das torres, ligando Nova York a Nova Jersey, foi reaberta em novembro de 2003 assinada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava. O auge da vitalidade pode ser simbolizada pela recente abertura de uma filial do Shake Shack, o hamburger mais amado da cidade, famoso pela qualidade, e, sim, pelas filas. `A beira da água, no Rio Hudson, o gramado é a praia dos locais. Toda a beira do rio foi revitalizada, incluindo uma ciclovia que dá a volta em Manhattan.
O Lower East Side também foi contagiado pela onda do renascimento: hoje, se hospedar no Hotel on Rivington ou jantar no Falai ou no W-50 é sinônimo de moda. O bairro também esconde uma das pérolas de Nova York: o Tenement Museum, cujas visitas guiadas de uma hora contam a história de imigrantes alemães, irlandeses, italianos e judeus da virada do século passado. O programa tem atraído tanta gente, que o escritório e loja do museu se muda este mês (setembro) para um espaço maior do outro lado da rua, a lendária Orchard Street, hoje pipocada por lojinhas de novos designers e restaurantes como o Little Giant e o Café 88. Já a sorveteria Il Laboratorio del Gelato, sorvete artesanal que mantinha uma loja discreta na rua, faz tanto sucesso que inaugurou a segunda loja no bairro em julho passado – em frente `a tradicional Katz’s Deli - com muito espaço e 48 sabores. Um pouco acima, a Bowery Street, no East Village, também está de roupa nova. O nome, acredite, vem de bowverij, ou fazenda em holandês – idioma dos primeiros colonizadores da ilha. No século 17, as ovelhas deram lugar `a uma avenida, que chegou a ser uma das mais badaladas da cidade, endereço inclusive da finada casa de rock CBGB, aberta na década de 70 e fechada em 2006. Por anos, no entanto, The Bowery, como é chamada, caiu no esquecimento; ainda hoje, de bela a rua não tem nada. Ainda assim, nos últimos anos ela passou a abrigar endereços disputados como o New Museum, o restaurante Gemma, no Bowery Hotel, a pizzaria Pulino’s e o DBGB, novo empreendimento do chef Daniel Boulud, no lugar do CBGB. Todos abertos nos últimos três anos.
Eis também um projeto que me emociona: o High Line: um antigo trilho elevado de trem, inaugurado em 1934 e desativado em 1980, e em 2009 transformado num jardim suspenso cuidadosamente projetados por paisagistas e designers de ponta. O passeio começa (ou termina) na rua 20 e se estende até a Ganservoort Street, no Meatpacking District, um bairro historicamente industrial, que ficou famoso pela quantidade de açougues, mas que hoje abriga uma Apple Store, restaurantes a la Sex and the City, além de uma filial da aclamada cadeia belga Le Pain Quotidien, e lojas de designers como Carlos Miele, Alexander McQueen e Stella McCartney, e dois hotéis sinônimos de balada: o Gransevoort e o Standard. Em 2015, esta ponta sul do High Line ganhará um vizinho especial: a nova filial do Whitney Museum, museu dedicado `a arte dos Estados Unidos, que funciona hoje no tradicional bairro Upper East Side. O novo prédio do Whitney foi desenhado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, mestre da luz e da leveza; o projeto inclui cafés, biblioteca, espaço educacional, salas para obras gigantes e o máximo de tetos e paredes em vidro, uma delas de frente para as águas do Hudson. Em tempo, vale lembrar que o respeitadíssimo Piano, criador do prédio Georges Pompidou , que abriga o museu de arte moderna de Paris, também arquitetou o prédio do New York Times, erguido em 2006, na Oitava Avenida, e a reforma da Morgan Library, na Avenida Madison com rua 37.
Acima do Meatpacking District, fica Chelsea, que abriga a charmosa Chelsea Market (onde, entre muffins e pães, fica também o escritório do Google), e as galerias de arte, que representam artistas que vão de Vik Muniz a Pablo Picasso. O passeio das artes começa na altura da Décima Avenida com a rua 20 e vai até a rua 26. Vale zig-zaguear por lá e não se intimidar: os prédios daquelas quadras escondem arte de outro mundo em todos os andares. Andando para leste, está o Flatiron District e o Gramercy Park, hoje destino dos gourmands. Comecemos pelo Eataly, megacomplexo de cinco mil metros quadrados, aberto há um ano na esquina da rua 23 com Quinta Avenida, que reúne o melhor da gastronomia italiana e que respeitam a filosofia “slow food”: os produtos são artesanais e vindos por fazendeiros locais. No topo do prédio, festa: ali fica a Bierria, onde a cerveja é produzida e consumida in loco. Já o Maialino, também italiano, foi inaugurado em 2009 no renovado Gramercy Hotel, um dos mais refinados da cidade. O Maialino pertence ao grupo de Danny Meyer, o melhor restauranteur da cidade, adorado pelos locais pela qualidade dos pratos e pela hospitalidade, sempre impecável.
Bien sûre, a Times Square também entrou para dança: uma audaciosa obra de urbanismo transformou parte da Sétima Avenida em calçada para pedestres, com direito a mesinhas e cadeirinhas. O mesmo aconteceu na parte sul da Columbus Circle, onde a sorveteria italiana Grom foi feliz em abrir uma filial, onde fica o imponente Time Warner Center, também inaugurado depois de 2001. Ali, o deslumbre são as lojas, as casa de espetáculo Jazz at Lincoln Center, a sede nova-iorquina da CNN e o hotel Mandarim Oriental. Também come-se bem por lá: o Per Se (cozinha americana) e o Masa (japonesa) alimentam bocas que podem pagar 500 por refeição. E para as bocas de mortais, há o Bouchon Bakery e o Whole Foods, ambos com qualidade impecável. Continuemos mais três quadras para cima e, vois lá, o Lincoln Center de cara nova: nova fonte de água, escadaria iluminada, e o Alice Tully Hall, onde acontece, entre outras coisas o New York Film Festival, não só ganhou um prédio novo em folha (depois de dois anos e 159 milhões de dólares), como virou ponto de encontro para um bom vinho de fim de tarde. A parte chata, no entanto, existe. Bem em frente ao Lincoln Center, uma livraria Barnes & Noble de cinco andares deixou de existir, dando espaço a uma Century 21, loja de barganhas para consumidores desenfreados. Não, eu não troco uma tarde no café da livraria em boa companhia por uma bolsa de 5,99 dólares. Mas, como a cidade é democrática, há quem troque. E ainda bem que é assim!
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
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